Serviço de Correio e Telecomunicações em Cocal

25/07/2014 20:32

Voltando ao passado...

Com a criação do distrito de Cocal, assim como a instalação do cartório, a indicação do primeiro Intendente e do escrivão, respectivamente, foi criada a agência postal-correio sendo o agente indicado o Senhor Jorge Cunha Carneiro, esta repartição pública funcionava em sua casa particular que se localizava em frente à Igreja Nossa Senhora das Graças na Rua Principal. Quando o Senhor Jorge trabalhava na Companhia Próspera em Cresciuma (atualmente Criciúma), sua esposa a Senhora Vitória Búrigo da Cunha Carneiro atendia o expediente. Com a mudança para Cresciuma da família Carneiro, passou a agência a operar numa casa de madeira ao lado esquerdo da Igreja (Capela) onde residia o novo agente o Senhor Silvio Búrigo (de Giusepe) pagando o aluguel de R$ 30.000 (Trinta mil reis) mensais. A Senhora Inês Savi Mondo Búrigo foi a terceira agente e percebia na época o valor de R$ 70.000 (Setenta mil réis) mensais. A partir de 1938 os malotes eram transportados pela transportadora Auto Viação Urussanga e por Antônio Mendes em seus veículos, até o ano de 1950. Outras empresas também realizavam estes serviços.

Em seguida a agência foi deslocada para a residência própria do casal Silvio e Inês Búrigo, residência localizada na Avenida Dr. Polidoro Santiago, onde ficou instalada até sua desativação, fato este que aconteceu no ano de 1971, onde atualmente reside a Senhora Diniz Búrigo filha dos agentes. Os malotes das correspondências eram transportados a cavalo 2 vezes por semana percorrendo o trajeto Urussanga/Criciúma e vice-versa e o responsável era o Senhor Pedro Búrigo (Copafe) e posteriormente o Senhor Paulo Zanelatto “Mastelon”. A desativação da agência dos correios deu-se sob a alegação de falta de casa para a instalação pois aquela da qual a agência estava instalada era deficitária. Em 1973 os serviços de correios foram reativados e foi instalada como agência postal. O local era a Intendência Municipal, localizada no prédio onde funcionava o Grupo Estadual Professor Padre Schuller, onde atualmente é a sede principal da Prefeitura Municipal e os serviços eram realizados pela Senhora Eladir Galli Benincá.

Os serviços de transmissão de telegramas eram feitos no sistema “Código Morse” que era um conjunto de combinação composta de pontos e traços que representavam letras, algarismos e sinais de pontuação simulando um alfabeto. A partir de 1971 a serviços de telégrafos foram desativados.

A agência telegráfica (telegrafo) foi instalado em 1922/1924 e o primeiro telegrafista foi o Senhor José Brigido Faraco, filho do Senhor Theófilo Faraco (operador interino). Em 1928 o telégrafo passou a ser operado pelo Senhor Addo Caldas Faraco. Em seguida o Senhor Sílvio Búrigo adquiriu os direitos pela exploração dos serviços telegráficos pagando ao seu antecessor o valor de R$ 500.000 (Quinhentos mil réis). Os serviços de correio e telégrafos eram prestados por empresas distintas apesar de funcionarem no mesmo local. Em 1930, depois de uma breve interrupção, devido a revolução, a agência foi reinstalada e os serviços postais e telegráficos foram incorporados, ou seja, passaram a ser prestados por uma única empresa e estes serviços passaram a ser prestados pela Senhora Inês Savi Mondo Búrigo. Fato interessante deu-se por ocasião da revolução de 1930 quando Getúlio Vargas assumiu o poder central, ou seja, as tropas revolucionárias que passaram por Cocal, arrancaram o aparelho telegráfico instalado em Cocal, este fato teve como objetivo suspender a comunicação entre os revoltosos.

Em se tratando de telefones havia também um “encarregado de linha” que era o responsável pela operação e manutenção da rede instalada em postes de madeira e fio de cobre. A operacionalização era a roçada, manutenção técnica e operacional dentre outros serviços. Na praça e na Rua principal existiam alguns postes de ferro e que tinham sido importados da Inglaterra.

Como o sócio Gílio Búrigo notou a movimentação das tropas, pois na hora assistia a missa dominical, montou em seu cavalo e voltou para casa onde trabalhava com a fabricação de vinho dentre outros produtos. A cerca de 2 km da Vila Cocal comunicou-se com seu irmão Vitório Búrigo que residia na comunidade de Estação Cocal, este alertava o agente da EFDTC - Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina que por sua vez alertava os agentes de Tubarão e estes alertavam os agentes de Florianópolis.

A empresa Zeferino Búrigo & Irmãos era proprietária de uma rede particular de telefone entre Cocal e Estação Cocal, e esta era possuidora de 4 aparelhos e através destes eram realizadas as comunicações entre as comunidades de Cocal, Colônia Gílio Búrigo, Linha Torrens e Estação Cocal. Estes aparelhos foram instalados nas firmas Zeferino Búrigo & Irmãos e Sociedade Colonial Cocal Ltda. e nas residências dos Senhores Adão Bosa e Luiz Búrigo. O valor mensal da conta telefônica era de R$ 200.000 (Duzentos mil réis) e este valor era utilizados para a operação e manutenção desse sistema de comunicação.

Es redes de telefone eram da Cia Telefônica Catarinense, todavia, cointeressada pelos serviços de telecomunicações a firma Zeferino Búrigo & Irmãos contribuía para a manutenção da central telefônica existente em Cocal e a partir da sua inauguração realizada em 26 de abril de 1938 com muita festa e churrascada. Esta permaneceu sob a responsabilidade da Companhia Telefônica Catarinense até os primórdios de 1945 quando foi transferida para a firma Zeferino Búrigo & Irmãos que assumiu a responsabilidade até 1952. Era uma central com 17 cabos, instalada em uma sala na residência da Senhora Maria Pierina Cechinel Peruchi e inicialmente operada por sua filha Bruna Peruchi e depois por sua irmã Ada Peruchi. 

Mensalmente a contribuição financeira para a manutenção desta central telefônica era a seguinte: Zeferino Búrigo & Irmãos: R$ 100,00 (cem réis), Sociedade Colonial Cocal Ltda.: R$ 50,00 (cinquenta réis), Prefeitura Municipal de Urussanga: R$ 50,00 (cinquenta réis), Diniz Búrigo: R$ 30,00 (trinta réis) e Sociedade Brasileira Carbonífera Visconde de Tunnay: R$ 15,00 (quinze réis), outros Cocalense contribuíam com R$ 5,00 (cinco réis) e os colonos contribuíam com R$ 2,00 (dois réis).

Todavia, alguns dos contribuintes não estavam cumprindo com as contribuições e a firma Zeferino Búrigo & Irmãos não estava conseguindo suportar os custos mensais de manutenção e operação, prejuízo mensal este que tinha um valor aproximado de R$ 158,00 (cento e cinquenta e oito réis). Foram tentadas diversas negociações mas sem sucesso e em meados de 1952 a central telefônica foi desativada.

Em 1945 tendo em vista a pouca movimentação da central telefônica, esta foi transformada em posto telefônico e em 27 de junho de 1945 foi firmado um convênio com a firma Zeferino Búrigo & Irmãos e esta central telefônica foi operada conforme acordo realizada em 1º de janeiro de 1945 onde esta firma receberia 12% de comissão para telegramas e conferências transmitidas e 8% para as recebidas, mais os auxílios financeiros despendidos pela comunidade Cocalense conforme descrito anteriormente.

Em 1978 foram instalados os primeiros telefones automáticos e em 1990 foi instalado o primeiro telefone público para a população Cocalense.

As informações acima citadas foram gentilmente repassadas pelo historiador Venícius Búrigo.

Sobre a história das comunicações no Brasil e no mundo, estamos pesquisando para que possamos escrever um pouco mais.

Até breve...

José Ivanor Zanette